Portugal muito afectado pelas mudanças climáticas
Relatório Agência Europeia do Ambiente confirma tendência para subida do nível do mar e aumento das temperaturas Secas, ondas de calor e inundações vão tornar-se mais frequentes.
O clima está mesmo a mudar e vai mudar muito mais ainda, em grande parte por influência das actividades humanas. A Europa e em particular a Península Ibérica vão registar aumentos de temperatura significativos ao longo deste século.
Um relatório da Agência Europeia do Ambiente sistematiza cenários e adverte para a necessidade de os países refrearem a emissão de gases com efeito de estufa, tomando também desde já medidas de preparação para os extremos que aí vêm.
A Europa tem que se preparar, adoptando medidas para minimizar o impacto das mudanças do clima, que podem ocorrer mais rapidamente ainda do que os cenários agora traçados pelo relatório. Esta é a advertência deixada aos poderes públicos, actividades económicas e à sociedade em geral: desde habitações adaptadas ao calor a infraestruturas resistentes às cheias (como pontes, barragens e ETAR), tudo deve ser tido em conta.Mais: fica o aviso de que as pescas vão sofrer com o aquecimento dos oceanos, que a agricultura está ameaçada pela seca e pelo stresse hídrico nas zonas Sul da Europa, ainda que a Norte as culturas possam beneficiar de estações primaveris mais prolongadas.
No plano da saúde, admite o relatório, até 2100 os problemas que se colocam dizem respeito a vagas de calor frequentes e aos riscos para a saúde de quem tenha problemas cardíacos ou respiratórios. As doenças transmitidas por insectos podem conhecer um aumento significativo. E, como as cheias vão ser também mais frequentes no Centro e Norte da Europa, a mortalidade também será aí mais significativa.
Só uma pequena parte do aquecimento global é devida a causas naturais, escrevem os relatores, que consideram ser também já difícil inverter esta tendência para os extremos climáticos, mesmo que as emissões de gases com efeito de estufa fossem repostas ao nível de 1990, como prevê o Protocolo de Quioto.
Os 120 países que o subscreveram representam apenas 55% das emissões.São sobretudo as emissões de dióxido de carbono que mais têm contribuído para as mudanças do clima, assegura ainda o relatório, que indica também a redução significativa dos glaciares (desde há 50 anos, nos Alpes, um terço deles derreteu), com impactos na subida dos mares.A média global do aumento da temperatura está estimada em 0,7 graus centígrados durante o último século.
No mesmo período, a Europa aqueceu 0,95 graus, sendo 1998 o ano mais quente.
Norte fica mais ameno e o Sul árido
A Europa aqueceu mais que o resto do Mundo desde 1900 e o maior aquecimento ocorreu em parte da Rússia e na Península Ibérica. Essa é uma tendência que não vai parar, segundo o relatório da Agência Europeia do Ambiente. Portugal vai partilhar sorte idêntica à do Sul da Europa, com as maiores subidas de temperatura, na ordem dos quatro graus, até 2080, face aos valores registados entre 1961-90. As vagas de calor tornar-se-ão mais frequentes, contribuindo para o agravamento de doenças e mortalidade.
No território nacional, a descarga dos rios para o mar diminuirá (sobretudo no Sado e Mondego); a disponibilidade de água, influenciada pela baixa precipitação, pode chegar a pontos críticos. Temperatura e secas terão fortes impactos na agricultura e reservas de água. O Sul do Tejo será a região mais flagelada. O Norte pode beneficiar da amenização das condições climatéricas.
in JN

1 comentário:
Infelizmente a generalidade das pessoas só vai acreditar nisto tudo quando começar a sentir verdadeiramente os seus efeitos. Por agora, vão dizendo "que antigamente não era nada disto", mas não tomam medidas firmes para não agravar mais os problemas.
Daqui a dez anos, a percepção dos efeitos que se vêem agravando dia após dia, já não devem deixar dúvidas a ninguém que o planeta caminha para o fim, ainda que muito devagar.
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